domingo, 7 de agosto de 2011

A omissão do Estado

Carlos Chagas

A indagação vem de tempos imemoriais: podem as minorias prejudicar as maiorias, impondo-lhes sua vontade e seus interesses? Estes, por mais do que justos, sendo corporativos, justificam-se? A ética e a lógica respondem que não. Mesmo assim, é o que prevalece no Brasil, hoje. Aqui na capital federal, os transportes coletivos vem parando por etapas. Anuncia-se para segunda-feira a paralisação geral, por iniciativa de motoristas e trocadores. Quem perde? A população, em especial a menos favorecida, sem recursos para demandar seus empregos em carros próprios ou, mesmo, impedidos de utilizar taxis e sucedâneos.

Uma lei não escrita que deveria prevalecer no mundo inteiro é de que greve se faz contra patrão. Jamais contra o povo, cabendo então ao poder público a defesa dos interesses gerais. Nesses tempos do abominável neoliberalismo onde prevalece a livre competição entre quantidades distintas, o Estado se omite. Omitindo-se, deixa a população no abandono, com ênfase para os carentes.

Nesta mesma semana, entre muitas outras categorias, entraram em greve os policiais de Brasília. É claro que têm razão em reivindicar melhores vencimentos. Arriscam a vida diariamente, desdobram-se em plantões intermináveis, obrigam-se a enfrentar tanto o crime organizado e o narcotráfico quanto em solucionar brigas de marido e mulher. Mas se paralisam suas atividades, quem lucra, a não ser os bandidos? A maioria fica ainda mais abandonada e sujeita à criminalidade.

Falamos da capital federal, mas muito pior está sendo a situação em grandes centros como São Paulo, Rio e outras capitais. Continuando as coisas como vão, logo a nação perguntará se vale à pena manter um Estado omisso e indolente como o nosso, e que custa cada vez mais caro. No século XIX os ventos do anarquismo varreram a Europa, fazendo drapejar as bandeiras negras. Sustentavam o não-Estado, uma utopia complicada e inexequível, mas o risco que corremos é parecido. O princípio vale para a economia, onde se sustenta que o poder público não deve intervir nas atividades privadas. Na prática, prevalece nas políticas públicas.

É esse o Estado que desejamos? Para ele a população se sacrifica, além de pagar impostos aos montes, saindo de casa para votar naqueles que vão geri-lo. Vale à pena?

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