Carlos Chagas
Ou ELE pode e não quer, ou ELE quer e não pode. Falamos do Ser Desconhecido, às vezes Supremo, tanto faz seu nome ou até, em alguns casos, sendo chamado de Sem Nome. Padre Eterno, Jeová, Alá, Tupã, Odin, Zeus, Júpiter e que tantas outras denominações lhe temos dado, bem que deveria, se quisesse ou se pudesse, ter evitado mais essa.
No caso, a morte de Rodolfo Fernandes, no auge da capacidade e disposição para criar e oferecer. E amar, também. Esse desabafo é feito em homenagem ao pai dele, mestre Hélio Fernandes, que como muitos veteranos estará indagando porque levaram seu filho e não ele. São coisas desse mundinho insignificante e perdido em meio ao universo que os modernos telescópios e as sondas espaciais mostram como caótico e desordenado.
O culto à notícia honesta e verdadeira foi a grande fixação de Rodolfo, como repórter, editor e diretor de redação. Aprendeu e ensinou a importância do grande objetivo da imprensa, de transmitir à sociedade tudo o que se passa nela de bom e de mau, de certo e de errado, de ódio e de amor. Será apenas conhecendo-se que a sociedade terá condições de se aprimorar. Jamais discutir com a notícia. Apresentá-la, sempre da melhor forma capaz de ser encontrada. Junto com conhecimento, Rodolfo distribuía sabedoria. A ele deveram-se as sucessivas reformas que transformaram O Globo no exemplo que é.
Do fundo de sua dor, o pai estará se indagando por que. Os mais velhos estamos sempre preparados para partir. Mas os jovens, aqueles potencialmente ainda plenos de contribuições a dar, por que?
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DESGASTE
Por motivos óbvios, ninguém no governo contesta a estratégia da presidente Dilma de evitar novas demissões no ministério, precipitadas ou necessárias. Permanecendo a faxina, nenhum ministro se sentiria garantido de alguma sujeira não ser encontrada debaixo do seu tapete, mesmo acumulada por seus antecessores. Agradou a todos a decisão da presidente de recolher a vassoura, a não ser, é claro, que se confirme a existência de montes de lixo ainda oculto na Esplanada.
Mudanças na equipe de governo virão, provavelmente no fim do ano, mas decorrentes da necessidade de retificação e aprimoramento na máquina pública, não como caça às bruxas. Mesmo diante da evidência de que elas existem e continuam dançando ao redor do caldeirão.
Parte da mídia contribui para esse refluxo por conta de exageros. Uma coisa, mesmo errada, é tomar carona no jatinho de algum empresário, outra muito mais grave será beneficiar empresas, ONGs e funcionários com recursos do tesouro.
Haverá desgaste para o palácio do Planalto se novas e graves denúncias de corrupção vierem a público, mas ficar acusando ministros por terem bissextamente voado nas asas de alguma empreiteira não recomenda demissões e desgasta a luta contra a corrupção.
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SEM ATRIBUIÇÕES
Tancredo Neves antipatizava com Fernando Henrique, tanto que jamais cogitou de fazê-lo ministro das Relações Exteriores, como ele pretendia. Num gesto de esperteza ou de maldade, porém, convidou o sociólogo para líder do governo no Congresso. A recusa não demorou, porque não haveria função determinada para o cargo. Importantes eram as lideranças do governo na Câmara e no Senado, não no Congresso, cujas reuniões conjuntas de deputados e senadores eram e continuam raras.
Não se explica, assim, essa nova tertúlia entre PMDB e PT para o lugar até agora ocupado pelo deputado Mendes Ribeiro, novo ministro da Agricultura. Ele não fazia nada, como não fará quem vier a sucedê-lo. Brigam sem sentido os dois partidos, a menos que seja para usufruírem o carro oficial do líder.
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