Realmente ocorre algo estranho no universo do ministério da Educação. Primeiro, foram os erros de concordância na cartilha que se presume recolhida. Segundo. foi a tabuada com divisões e multiplicações erradas. A revisão não pode deixar de ter sido refeita. Envolvia até questões de troco em dinheiro. Agora, reportagem de Lauro Neto, O Globo de quarta-feira 19, aponta informação incorreta quanto ao local da prova do ENEM na cidade do Rio de janeiro.
O cartão de confirmação, remetido pelo Correio, apontava Av. Pasteur 296. Mas aí entrou em ação o telefone: em vez de 286, o endereço informado é Pasteur 436. Impressionante a sequência dos erros na esfera do Ministério que desenvolve a Educação no país e, portanto, deveria possuir melhor sistema de informação. Uma coisa não existe sem a outra. O endereço errado pode, inclusive, acarretar uma série de problemas facilmente evitáveis.
Não foram evitados, como se constata da reportagem de O Globo.Mas o que chama mais atenção é um detalhe existente numa – digamos assim – sombra no texto da matéria. Necessário iluminá-lo. Lauro Netto revela que foi montado um consórcio para aplicar o ENEM, a partir da Fundação Cesgranrio. Consórcio? Contrato? Mas a Cesgranrio não pode realizar sozinha as provas? No passado era assim. Porque a pluralidade? Não Possui explicação aparente. Há necessidade de sigilo. O que nem sempre aconteceu.
Uma vez, há cerca de 15 anos, ele foi rompido. Explodiu um escândalo, estudantes sabiam o teor das provas. Mas daí a ser montado um consórcio vai grande diferença. Inclusive, quanto mais pessoas envolvidas – claro – maior é a possibilidade da ruptura do segredo indispensável.
Indispensável mas que vem sendo dispensado em grande número de concursos públicos por aí. Até na magistratura, há cerca de dois anos, verificaram-se coincidências à base de parentesco difíceis de atender. Mais ainda de explicar, sobretudo provar. Se tudo anda sendo fraudado no país, por qual motivo os concursos públicos deixariam de ser? É possível, mas não é provável.
Aliás, por falar em concursos para a administração federal, encontram-se eles suspensos desde o início do governo Dilma Roussef. É curioso isso. Mas existem funcionando cursos preparatórios. Geralmente montados e coordenados por antigos funcionários dos órgãos públicos e de empresas estatais. Os anúncios fornecem a ilusão de que os professores são simultaneamente os selecionadores dos candidatos.
Todos os classificados para o número de vagas existentes são os aprovados. Porém, é lógico, nem todos os aprovados são classificados. Surge, então, o banco de reserva, válido, conforme a CF, pelo prazo de dois anos. Vencido este prazo, novo concurso. Inscrevem-se geralmente 50 mil pessoas a 50 reais cada inscrição. Um concurso portanto significa uma receita de 2,5 milhões de reais. Seu custo, na prática, não chega à metade. Mas o problema não é só esse: se concurso fosse a melhor maneira de selecionar, as empresas provadas adotariam a norma. Não há uma que proceda dessa forma. No caso do acesso à universidade, de fundamental importância para o aperfeiçoamento da soiedade, e a evolução do país, o critério não deve ser uma prova isolada. E sim o desempenho dos alunos na rede de ensino através dos anos letivos. Este processo representa um sistema. A prova. um tipo de loteria. Às vezes manipulada.
(Transcrito da Tribuna da Imprensa)
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