Ao contrário do que parte da imprensa divulgou ou sugeriu, não foi complacente, muito menos subserviente, a postura de Dilma Rousseff diante do secretário-geral da Fifa, segunda-feira, em Bruxelas. Claro que ela buscou pontos de entendimento e até se comprometeu a emendar, conforme algumas sugestões, o projeto de Lei Geral da Copa, atualmente no Congresso. Mas não cedeu no principal, ainda que algumas reivindicações da entidade dependam da legislação dos Estados, não da União.
Num exemplo: maiores de 60 anos continuarão pagando meia-entrada, nos estádios. Não há hipótese de penalizar os velhinhos, protegidos por legislação federal. Quanto aos estudantes, tudo dependerá de negociações da Fifa com os governadores e as Assembléias Legislativas. Também a proibição da venda de bebidas alcoolicas nos recintos esportivos só será suspensa se os Estados quiserem.
Jerôme Walcke não repetiu a arrogância de Joseph Blatter, que por sinal pulou fora do encontro com a presidente brasileira precisamente para permitir um diálogo franco e educado, sem as imposições por ele apresentadas através da mídia.
Quando abordaram a questão dos aeroportos nacionais, necessitando de ampliações, Dilma não permitiu que as obras em andamento em diversas capitais parecessem exigência da Fifa. As melhorias constituem iniciativa nossa, visando não apenas a temporada dos jogos de futebol, em 2014, mas adotadas para aprimorar o sistema de transportes conforme planejamento de prazo maior. A mesma coisa com relação às vias de acesso aos estádios.
Tudo bem quanto ao credenciamento para jornalistas, da alçada da Fifa, ou às negociações para a transmissão de todas as partidas, a cargo das empresas de televisão e da entidade internacional. Nada feito em relação a indenizações suplementares referentes à ação ou omissão do governo brasileiro.
Em suma, busca-se o entendimento entre as partes, não a prevalência de uma delas. À Fifa o Brasil não permitirá tornar-se um superpoder capaz de turvar nossas leis ou arranhar nossa soberania. Até porque, a Fifa terá muito mais a perder do que nós, se as coisas não derem certo…
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