Parece intriga. E é, restando saber quem a espalhou e a quem interessou. Fala-se da versão que ganhou a imprensa, ontem, sobre ter estado a presidente Dilma disposta a pedir a exoneração de Orlando Silva, mudando de idéia depois de o ex-presidente Lula recomendar ao ministro do Turismo para não se demitir e ao PC do B para resistir. Quando desembarcou da África, Dilma reafirmou que confiava em que Orlando se defenderia e que continuava a manter sua confiança. Não foi o antecessor, portanto, responsável pela decisão da sucessora.
O que não dá para entender é como os conselhos do Lula, certamente dados em particular, tornaram-se públicos em menos de 24 horas. O ministro não foi o inconfidente, ainda que depois confirmasse o telefonema. Talvez o grupo do PCdoB, ávido de ocupar o ministério, porque a hipótese confirma a tese de que quanto menor um partido político, maiores suas disputas internas. Quem sabe companheiros do PT, de olho num ministério que valia pouco, transformado agora em jóia da coroa por conta da Copa do Mundo e das Olimpíadas?
De qualquer forma, seria bom o ex-presidente tomar cuidado. São muitas as correntes a evoluir em torno do governo, algumas inconformadas com a forma de governar da presidente, sempre inflando o ego do Lula para levá-lo a candidatar-se em 2014. Não se trata apenas de gente do PT. No PMDB, por exemplo, não são poucos os que aspiram pelo retorno do primeiro-companheiro, bem mais complacente na arte de nomear e de acomodar interesses.
Quanto ao próprio, quer dizer, o Lula, deveria tomar mais cuidado. De sua influência viraram ou continuaram ministros Antônio Palocci, Alfredo Nascimento, Wagner Rossi, Nelson Jobim e Pedro Novais – todos levados a demitir-se em condições no mínimo constrangedoras. Orlando Silva também integrou a quota dos salvados do governo anterior.
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