Partindo
do princípio que o objetivo de todo jornalista ético e sensato é o de
informar bem, com coerência, honestidade, dignidade e imparcialidade,
preocupando-se sempre com o indispensável conhecimento da causa que leva
a reportar, venho apresentar-lhes uma contribuição em cima de um
assunto que muitos profissionais do jornalismo, embora bem
intencionados, terminam cometendo equívocos lamentáveis, por uma
inexplicável ignorância que compromete os seus nomes bem como o dos
veículos por onde vinculam as suas matérias ou reportagens.
Falo
com respeito ao assunto Espiritismo, tema este que invariavelmente é
visto apenas no campo religioso, o que na verdade não é, e sobretudo, o
que é mais lamentável, sempre enfocado com afirmativas de conceitos
absurdos, oriundos do "achismo" e também de uma cultura criada na cabeça
das pessoas, pela intolerância e a desonestidade religiosa.
Não
objetivo aqui defender crença ou fé nenhuma, porque não é isto que está
em questão. Só quero mesmo prestar contribuição ao gigantesco segmento
honesto do jornalismo acerca de uma coisa, como ela realmente é, para
que ele esteja melhor informado, sem a menor pretensão de querer fazer
com que nenhum profissional o aceite, concorde com os seus postulados e,
muito menos, se converta.
Vamos aos assuntos:
Espiritismo não é igreja
Em
princípio corrijam a conceituação inicial: Espiritismo não é
simplesmente religião. Ele não veio ao mundo com objetivo nenhum de ser
religião. Trata-se de uma doutrina filosófica, com base calcada na
racionalidade, na lógica e na razão, apenas com conseqüências
religiosas, haja vista que os seus adeptos ficam livres da submissão a
qualquer religião, por não serem obrigados a coisa nenhuma e nem serem
proibidos de nada. Há centros espíritas que se portam como se fossem
igrejas, mas isto é produto da concepção equivocada dos seus dirigentes,
que ainda sentem a necessidade da rezação, em que pese o Espiritismo
ser algo muito acima disto.
Não existe "Kardecismo", existe "Espiritismo"
O jornalista equivocado costuma utilizar-se da expressão "kardecismo",
para identificar algo que ele imagina ser uma "ramificação" do
Espiritismo, achando que Espiritismo é um "montão de coisas" que existe
por aí, quando na realidade não é.
A palavra "Espiritismo"
foi criada, ou inventada, como queiram, pelo senhor Allan Kardec,
exclusivamente, para denominar a doutrina nova que foi trazida ao mundo,
por iniciativa de Espíritos, e que tem os seus postulados próprios.
Portanto,
qualquer crença ou prática religiosa que utiliza-se da denominação
"Espiritismo", fora desta que se enquadre nos seus postulados, está
utilizando-se indevidamente de uma denominação, mergulhando no campo da
fraude. Daí a verdade que o nome disto que vocês chamam de "kardecismo",
verdadeiramente é "Espiritismo".
Apenas
para clarear o campo de conhecimento dos que ainda têm dúvidas, em
achar que Candomblé, Cartomancia, Necromancia, Umbanda e outras práticas
espiritualistas é Espiritismo, vai aqui uma pequena tabela,
exemplificando algumas práticas de alguns segmentos, para apreciação
daqueles que consideram relevante o uso da inteligência e do bom senso, a
fim de um discernimento mais coerente e responsável.
Veja quem adota e quem não adota o quê.
Procedimento, prática ou ritual
|
Umbanda
|
Catolicismo
|
Espiritismo
| |
1
|
Uso de altares
|
Sim
|
Sim
|
Não
|
2
|
Uso de imagens
|
Sim
|
Sim
|
Não
|
3
|
Uso de velas
|
Sim
|
Sim
|
Não
|
4
|
Uso de incensos e defumações
|
Sim
|
Sim
|
Não
|
5
|
Vestimentas e paramentos especiais
|
Sim
|
Sim
|
Não
|
6
|
Obrigações aos seus praticantes
|
Sim
|
Sim
|
Não
|
7
|
Proibições aos seus praticantes
|
Sim
|
Sim
|
Não
|
8
|
Ajoelhar-se, sentar-se e levantar-se em seus cultos
|
Sim
|
Sim
|
Não
|
9
|
Bebidas alcoólicas em seus cultos
|
Sim
|
Sim
|
Não
|
10
|
Sacerdócio organizado
|
Sim
|
Sim
|
Não
|
11
|
Sacramentos
|
Sim
|
Sim
|
Não
|
12
|
Casamento religioso e batizados
|
Sim
|
Sim
|
Não
|
13
|
Amuletos, patuás, escapulários e penduricalhos
|
Sim
|
Sim
|
Não
|
14
|
Hinos e cantarolas nos cultos
|
Sim
|
Sim
|
Não
|
15
|
Crença na existência de satanás
|
Sim
|
Sim
|
Não
|
Como pode, então, um profissional que tem a obrigação de estar bem informado, poder afirmar que Espiritismo e Umbanda são a mesma coisa? Não seria mais coerente dizer que tem mais semelhanças com o Catolicismo, embora não seja também a mesma coisa?
O
espírita não tem a menor pretensão de diminuir ou desvalorizar o adepto
da Umbanda que, por sua vez, tem também a sua denominação própria que é
Umbanda, e não Espiritismo, apenas quer deixar claro que Espiritismo é
Espiritismo e Umbanda é Umbanda, assim como Catolicismo é Catolicismo,
Protestantismo é Protestantismo.
A
afirmativa que alguns fazem, em dizer que tudo é a mesma coisa, com a
diferença de que na Umbanda se reúnem negros e pobres e no tal
"Kardecismo" se reúnem o que chamam de elites, é extremamente leviana,
desonesta e irresponsável. O Espiritismo não faz qualquer discriminação
de raças, cor ou padrão social, já que em seu movimento existem inúmeros
negros, mulatos, brancos e de todas as etnias.
Allan Kardec não inventou o Espiritismo
Allan
Kardec não inventou, ou criou, Espiritismo nenhum. A proposta veio de
Espíritos, através de manifestações espontâneas, consideradas como
fenômenos, na época, e ele, que nada tinha a ver com aquilo, foi
convidado por alguns amigos para examinar e analisar os tais fenômenos,
em suas casas, oportunidade em que foi convidado, pelos Espíritos, pela
sua condição de pedagogo e educador criterioso, a organizar aqueles
ensinamentos em livros e disponibilizar para a humanidade.
Ele
foi tão honesto e consciente de que a obra não era de sua autoria, que
evitou colocar o seu nome famoso na Europa antiga (Denizard Rivail) como
autor dos livros e preferiu utilizar-se de um pseudônimo. É bom que se
saiba que o tal professor Rivail era autor famoso de livros didáticos e
que tudo o que aparecia com seu nome vendia muito, não apenas na França
como em toda a Europa.
Atentem
para o detalhe: Os Espíritos optaram por um pedagogo, um professor, e
não por um padre, um religioso, o que nos convida a entender que o
Espiritismo é escola e não igreja.
Sobre a reencarnação
Não
é patrimônio exclusivo do Espiritismo e não foi inventada pelo
Espiritismo, posto que é algo conhecido pela maior parte da humanidade,
por milênios, muito antes do Espiritismo, que tem apenas 151 anos de
idade.
O
espírita, depois de estudar a reencarnação, não crê na reencarnação,
ele passa a SABER a reencarnação, o que é diferente. Exemplificando:
Você crê que a Lua existe ou você sabe que ela existe? Afinal, você pode
vê-la e comprovar, inclusive cientificamente? É isto aí.
Portanto a afirmativa de que os espíritas crêem na reencarnação é infantil e sem sentido.
Sobre a mediunidade
Também
não é patrimônio exclusivo e nem foi inventada pelo Espiritismo. É uma
faculdade humana normal e independe de crença religiosa, já que a pessoa
pode possuí-la, com maior ou menor intensidade, acredite ou não. O
Espiritismo apenas se dispõe a estudá-la, educar e disciplinar as
pessoas que a possuem, para que o seu uso possa ser benéfico a elas e
aos outros, absolutamente dentro dos elementares padrões de moralidade.
Segundo os postulados espíritas ela não deve ser comercializada, nunca, e
deve ser utilizada gratuitamente; todavia é praticada comercialmente em
alguns lugares do mundo, por pessoas que são médiuns, inclusive
honestas, mas nada sabem sobre Espiritismo, numa comprovação de que ela
existe fora do meio espírita.
Qualquer afirmativa do tipo que "alguém tem mediunidade e precisa desenvolver"
é vinda de pessoas inconseqüentes, mesmo algumas que se auto rotulam
espíritas, posto que o Espiritismo propõe que a faculdade deve ser
educada e não desenvolvida.
Sobre o caráter do centro espírita
É um local que deve atuar como escola e não como igreja.
A sua proposta é de estudos, sobretudo da matéria que trata da reforma
íntima das pessoas, dando ciência do papel de cada um de nós na terra,
da nossa razão de existir enquanto criaturas úteis ao nosso próximo,
esclarecimento da nossa condição espiritual no presente e no futuro e,
principalmente, a nossa conduta moral.
Recomenda
a prática da Caridade, sim, mas de forma ampla no sentido de orientar e
informar aos outros sobre os meios de libertações dos conflitos, das
amarguras, das incompreensões e do sofrimento em si e não esse
entendimento estreito de que Caridade se resume apenas a dar prato de
sopa ou roupas usadas para pobres, para qualificar o doador como
bonzinho.
Adota
Jesus, sim, inclusive como o maior modelo e guia que temos para seguir,
concebendo o seu Evangelho como a bula coerente a nos conduzir, e não
como sendo ele o próprio Deus.
Enfim. O centro espírita é um local de estudo e não de rezação.
Sobre quem é reencarnação de quem
Recentemente
vimos um jornalista afirmar, nas páginas da VEJA, que os espíritas
juram que Fulano é reencarnação de Ciclano, o que se constitui em um
absurdo. Em princípio espírita não adota jura nenhuma. Segundo, que não
consta da atividade espírita a preocupação de quem é reencarnação de
quem, uma vez que esta discussão é irrelevante, não tem razão nenhuma,
não acrescenta absolutamente nada na proposta espírita para a criatura
humana, em que pese alguns espíritas, apenas alguns, (nem todos entendem bem a proposta da doutrina) se ocuparem com esse tipo de discussão.
Falar
em quem é ou talvez possa ser reencarnação de quem, é conversa amena de
momentos de descontração de espíritas, apenas em nível de curiosidade
ou especulação, jamais tema de estudo sério da casa espírita.
Ainda
que possa existir, em alguns locais de estudos mais profundos e
pesquisas espíritas, interesses em trabalhar as questões da
reencarnação, os estudiosos apenas sugerem que fulano possa ser a
reencarnação de alguém, mas nunca afirmam, apesar de evidências
marcantes e inquestionáveis, quando a condução da pesquisa é séria e
criteriosa.
Quem anda dizendo que é a reencarnação de reis, de rainhas e de personagens poderosas do passado não são os espíritas, são apenas alguns bobos que estão no Espiritismo sem consciência do seu papel.
Apologia ao sofrimento
Matérias
de revistas e jornais, dentro deste equívoco que nos referimos,
chegaram a afirmar, diversas vezes, que o Espiritismo ensina as pessoas a
serem acomodadas em relação ao sofrimento e até chegarem a dizer que o
sofrimento é bom.
Não condiz com o coerente ensinamento do Espiritismo. Se algum espírita chega a dizer isto, certamente é vítima do masoquismo
e, provavelmente, deve praticar um ritual em sua casa, quando, talvez
uma vez por semana, colocar a mão sobre uma mesa e dar uma martelada em
seu dedo.
Sofrimento
não é condição fundamental para a evolução de ninguém, embora
entendemos que, ao passar por ele, muitas pessoas terminam acordando
para a realidade da vida e mudando de conduta, sobretudo no campo do
orgulho, do egoísmo e da presunção.
Mesa branca
Não
existe espiritismo mesa branca, alto espiritismo, baixo espiritismo ou
qualquer ramificação do Espiritismo, que é um só. O hábito de forrar
mesas com toalhas de cor branca, na maioria dos centros espíritas, nada
mais é que um hábito de alguns espíritas, de certa forma até equivocados
também, uns talvez achando que a cor branca da toalha ou das roupas das
pessoas tem algum significado virtuoso, quando na verdade não existe
esta orientação no Espiritismo. Muito pelo contrário, seria preferível
utilizar toalhas (por que tem sempre que ter toalhas nas mesas?) de outras cores, posto que tecidos em cor branca tem maior facilidade de sujar.
Portanto a citação de "espiritismo mesa branca" é mais uma expressão da ignorância popular, o que não se admite nos jornalistas.
Terapia de vidas passadas
Não
é procedimento espírita, em que pese ser recomendável em alguns casos,
porém em consultórios de profissionais especializados, geralmente
psicólogos ou médicos. É fato, existe, é comprovado, tem resultados
cientificamente respaldados, mas não é prática espírita.
Cromoterapia, piramidologia etc…
Se
alguém usa uma dessas práticas no espaço físico de uma casa espírita, é
por pura deliberação da direção da casa, que se considera livre para
fazer o que quiser, até mesmo dar aulas de arte culinária, corte e
costura, curso de inglês, informática ou o que quiser, que são
atividades úteis, sem dúvidas. Mas não tem a ver diretamente com o
Espiritismo.
Sucessor de Chico Xavier
Isto
nunca existiu no Espiritismo, em que pese vários jornalistas terem
colocado em matérias diversas, quando o Chico Xavier "morreu", e ainda
repetem, talvez querendo estabelecer alguma comparação do Espiritismo (que vêem apenas como religião)
com a Igreja Católica, que tem sucessores dos papas, quando morrem.
Chico Xavier nunca foi uma espécie de papa, de cardeal ou de qualquer
autoridade eclesiástica dentro do movimento espírita.
Divaldo
Pereira Franco nunca foi sucessor do Chico, nunca teve essa pretensão,
ninguém no movimento espírita fala nisto, que é coisa apenas de páginas
de revistas desinformadas sobre o que verdadeiramente é o Espiritismo.
A sua relação com a Ciência
Faz parte da formação espírita a seguinte recomendação: "Se
algum dia a Ciência comprovar que o Espiritismo está errado em algum
ponto, cumpre aos espíritas abandonarem imediatamente o ponto equivocado
e seguirem a orientação da Ciência".
Mas
isto não quer dizer que o que afirma determinadas criaturas, como o
padre Quevedo, que se apresenta presunçosamente como cientista, deva ser
entendido como Ciência, já que ele não é unanimidade e nem ao menos
aceito pela maioria dos cientistas coisa nenhuma. Ele é padre, nada mais
do que padre, com um tipo de postura que não aceita nem pela maioria do
seio católico, quanto mais pelo científico.
Não
é à pseudo-ciência ou a opiniões pessoais de um ou outro elemento, que
se diz de Ciência, que o Espiritismo se submete, com esta recomendação, é
a Ciência, como um todo, em descobertas inquestionáveis.
Até agora a Ciência não conseguiu apontar e muito menos comprovar erro em um ensinamento espírita, sequer.
Se alguém exige, por exemplo, querer provas por parte dos que afirmam que existe vida fora da Terra, por questão de bom senso deve ter também provas de que não existe. Será que tem?
Medicina e Espiritualidade
Alguns
médicos, tradicionalmente, sempre afirmaram que os problemas de saúde
das pessoas nada tem a ver com problemas espirituais, porque estes se
resumem a crendices. Hoje existe um curso de "Medicina e Espiritualidade",
oficial, dentro da USP (Universidade de São Paulo), a maior
Universidade do País, onde são estudados estes questionamentos que
alguns continuam a dizer que são crendices. Em nível de informação,
sugerimos que os jornalistas se interessem em reportar sobre este
assunto, sem que vá aqui a menor intenção de querer converter ninguém.
Não se trata de questão religiosa, trata-se de questão científica. Para
melhor informação, as aulas deste curso podem ser vistas no site: www.redevisao.net. O telefone da Pineal Mind, onde são ministradas as aulas, é (11) 3209-5531 e o e-mail é faleconosco@uniespirito.com.br
onde poderão ser obtidas maiores informações sobre o curso. Toda
sexta-feira, às 19 horas, tem aula ao vivo, pelo site, numa webtv.
Diante
de todo o exposto sugerimos que os grandes veículos de comunicação de
massa, obviamente comprometidos com a credibilidade dos seus nomes,
repassem estes esclarecimentos aos seus profissionais de jornalismo, não
necessariamente para que eles sejam simpáticos à idéia espírita, já que
ninguém é obrigado a aceitar coisa nenhuma, mas para, pelo menos, não
comprometerem as suas honorabilidades dizendo mentiras, leviandades e
até se expondo ao ridículo reportando sobre um assunto que não entendem.
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