sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Ministério das Cidades, paraíso das empreiteiras

Ministério das Cidades, paraíso das empreiteiras

Foto: Divulgação



Rodolfo Borges _247 – É curioso, mas a última preocupação dos envolvidos nas obras de mobilidade da Copa do Mundo de 2014 parece ser a melhoria do transporte nas cidades que vão receber o evento daqui a três anos. A revelação recente da fraude no aval do Ministério das Cidades para construção de Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) em Cuiabá é apenas um dos vários indícios de que há outros interesses envolvidos na definição de que modais serão implantados para melhorar o tráfego de pessoas nas cidades-sede durante o evento.

O Ministério das Cidades será investigado por ter aumentado em R$ 700 milhões a previsão de gastos nas obras de Cuiabá, aumento justificado pela troca da implantação de uma linha rápida de ônibus (BRT) pela construção de um Veículo Leve sobre Trilhos (VLT). Segundo O Estado de S.Paulo, documento forjado pela diretora de Mobilidade Urbana da pasta, Luiza Vianna, com autorização do chefe de gabinete de Negromonte, Cássio Peixoto, adulterou o parecer técnico que vetava a mudança do projeto do governo do Mato Grosso de trocar a implantação de uma linha rápida de ônibus pela construção de um VLT. Luiza Vianna negou e anunciou a abertura de uma sindicância para identificar como a nota técnica original, contrária ao projeto, foi parar no processo.

A Prefeitura de Cuiabá e o governo do Mato Grosso tinham optado no início do ano pelo BRT, um sistema “considerado o futuro dos sistemas de transporte urbano”, segundo nota publicada no site da própria Prefeitura quando da escollha, mas mudaram de ideia. E essa não foi a única troca feita neste ano por autoridades municipais no Brasil.

Como o Brasil 247 mostrou em julho, a Prefeitura de Salvador trocou um projeto de BRT aprovado e orçado em R$ 750 milhões pela construção de uma linha de metrô que vai custar R$ 3 bilhões – ah, os soteropolitanos esperam o início do funcionamento das outras linhas do metrô há 12 anos. Até Curitiba, referência nacional em transporte público e famosa por seu eficiente sistema de ônibus, se rendeu ao VLT.

A febre dos VLTs também passou por Brasília, durante o governo de José Roberto Arruda. O GDF chegou a expor um dos vagões do trem que percorreria a avenida W3 e poderia chegar até o aeroporto, mas a queda do governador prejudicou os planos. O governador Agnelo Queiroz disse que pretende retomar as obras e, inclusive, anunciou R$ 300 milhões para tentar botar o projeto de pé antes da Copa de 2014.

O governo federal pretende gastar R$ 8 bilhões em obras de mobilidade urbana nas cidades-sede, de acordo com o PAC Mobilidade Urbana, administrado pelo Ministério das Cidades, mas estados e municípios também vão contribuir com investimentos, elevando a projeção de gastos e, portanto, os interesses de grandes grupos. Talvez por isso a prefeitura de Natal tenha optado, também, por construir um VLT por ocasião da Copa do Mundo.

Recife é outra capital que estuda implantar o modal. Mas será mesmo que o Veículo Leve Sobre Trilhos é a melhor solução de transporte para todo o território nacional?

Um comentário:

  1. Lamentável que pessoas bem informadas, como deveriam ser os profissionais da área jurídica, demonstrem tamanha leviandade. A presunção da inocência não é o primeiro mandamento do Direito? Pois saibam os fariseus de plantão que até hoje - passados dois anos do início das investigações pela Polícia Federal e Ministério Público - não foi apresentada denúncia contra o ex-governador Arruda. Por que isso? Pela simples razão de que as imagens dele recebendo dinheiro do delator Durval Barbosa são de 2005, época em que sequer cogitava ser candidato a governador, e que o citado dinheiro foi devidamente declarado à justiça eleitoral. Onde o crime? Só na cabeça de pessoas desinformadas ou de má fé... Quanto à decisão do Tribunal de Justiça do DF, é cristalina e repõe a verdade dos fatos: à época em que Jaqueline Roriz recebeu dinheiro de Durval Barbosa, o governador era Joaquim Roriz, seu pai, e Durval pertencente ao primeiro escalão do mesmo governo. Jaqueline e Roriz eram adversários de Arruda e apoiavam a candidata adversária deste, Maria de Lourdes Abadia, conforme qualquer menino dos subúrbios da capital pode atestar. Como, então, dizer que essa operação foi feita a mando de Arruda (acusação que originou o bloqueio de seus bens)? Parece que os tentáculos do PT chegaram, mesmo, ao mundo jurídico!

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