sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Conseguirá o PT voltar ao passado?

Carlos Chagas


Com direito à presença de Lula e Dilma, começa amanhã o Quarto Congresso do PT. Há quem suponha mais do que serpentinas, confetes e lantejoulas. Cresce entre os companheiros, ou parte deles, a necessidade de uma volta ao passado, com o renascer de propostas de reformas sociais profundas. Uma espécie de mea-culpa pelo fato de o partido se ter transformado em abrigo para novos burgueses e funcionários públicos, preocupados com nomeações, benesses oficiais e até contratos de ONGs fajutas.

Petistas mais jovens, em especial os de primeiro mandato, defendem que depois de oito anos do Lula, e agora pelo menos quatro de Dilma, a oportunidade é para mudanças de rumo. Estreitar o espaço neoliberal mantido pelo antecessor e reconhecido pela sucessora. Combater a miséria é louvável, mas precisa ser com direitos sociais ampliados, acima e além do assistencialismo. Desde que assumiu o poder, o PT acomodou-se ao figurino que combateu quando de sua fundação.

Lembram os inconformados com o atual perfil do partido que no Primeiro Congresso, um ano após a fundação do PT, o Lula pregou a posse dos meios de produção para os trabalhadores, bem como o aproveitamento, por eles, dos frutos de seu trabalho. Hoje, prevalece a acomodação diante do modelo perverso imposto pelas elites, sem que se ouça o governo pregar a participação dos empregados no lucro das empresas, a cogestão, o imposto sobre grandes fortunas e a taxação do capital especulativo. Dos sindicatos até os bancos, a trajetória petista nega suas origens. Resta saber se esse esforço levará a algum lugar.

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